Novo Curso! Descomplicando Machado

SAIU A NOVA TURMA!

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A nova turma tem início no dia 28 de setembro, às 19 horas. Serão cinco encontros, de duas horas cada, com certificação.

Sobre o curso

O objetivo do curso é propor formas renovadas de ler e curar a obra machadiana a ser apresentada nos cursos regulares do Ensino Médio e/ou de cursos de nível superior. Embora a estrutura do curso se mantenha a mesma para qualquer grupo, a escolha das metodologias e a alteração na seleção da base de leituras se darão de acordo com o perfil de cada grupos de professores.

Desde que escrevi e defendi tese sobre Machado de Assis, mas especialmente durante o período do doutorado, observei como a figura do escritor tem sido apresentada junto a jovens estudantes e passei a refletir sobre minha própria trajetória como leitora de sua obra.

Em minha experiência pessoal e acadêmica,somente depois de tomar contato com seus contos e algumas das melhores crônicas pude compreender o quanto perdemos limitando nossa incursão literária geralmente aos romances clássicos.

O legado de Machado de Assis se expande à medida que o contextualizamos e sobretudo quando rompemos com algumas premissas que continuam a ser ensinadas e reproduzidas sem questionamento. Isso se dá muitas vezes com as melhores da intenções e outras com o simples objetivo de categorizar e organizar o ensino da literatura brasileira como se tudo tivesse de caber nos moldes cronológicos ie de escola literária que herdamos.

Por meio deste curso, busco convencer professores que Machado de Assis não é um remédionecessário mas amargo, que deve ser enfiado goela abaixo dos estudantes pré-univerrsitários, e sim uma oportunidade de brindá-los com um escritor brasileiro inteligente, de refinado humor e extremamente sensível às mazelas de seu tempo; um autor que pode figurar entre os grandes da literatura mundial.

Descrição

O grupo

A principal característica deste curso, que o difere dos demais da Claraboia, é vamos tentar personalizá-lo tanto quanto possível. Desde as discussões até o volume de leituras.

Encontros

Vários aspectos do curso serão flexíveis para fazer da experiência o mais próxima possível da expectativa coletiva. No entanto, a proposta é que o curso se desenvolva em 5 encontros de duas horas cada um e que no encontro final pequenos sub-grupos apresentem propostas de trabalho com textos específicos, prontos a serem usados em sala de aula, presencial ou virtualmente. Será oferecida mentoria opcional aos que assim queiram ou necessitem, combinadas caso a caso.

Leituras

Antes de começarmos o curso, é aconselhável que todos tenham lido, em algum momento, os clássicos mais estudados: Dom Casmurro e Memórias Póstumas de Brás Cubas, e bastante aconselhável que também revejam os argumentos de Helena e O Alienista. Essa base facilita as discussões e serve como plataforma para os contos e outros textos curtos, que leremos ao longo do curso, embora não seja obrigatória.

Depoimentos de alunas do curso

A Leitura das Imagens

Amo assistir aos seus vídeos, fazer as leituras e deixar as ideias fluírem a partir delas. Dá uma vontade danada de correr pra sala de aula pra colocar tudo em prática!

— Ana Cláudia A.

A abordagem com imagens, agora no âmbito digital, especialmente para o desenvolvimento do meu trabalho se tornou muito frequente e importante; e o teu curso proporcionou um percurso teórico/prático com ideias inspiradoras.

— Patricia G.

[…] Falando da atividade em si, já me vejo aplicando-a. Trabalhar a leitura é uma tarefa que deve ser exercida por todos as disciplinas. Não deve ser responsabilidade somente do professor de língua portuguesa. E essa atividade sugerida é uma excelente abordagem para cumprir esse papel. Trata-se de desenvolver a habilidade de leitura de forma genuína.

— Lidiane A.

Contato

contato@claraboiacursos.com

Crônica de Machado de Assis na coluna Balas de Estalo, em 4 de julho de 1883. Se você usa transporte público no Brasil do século XXI, talvez encontre algumas semelhanças com as regrinhas de Machado! 🙂

4 de julho
Ocorreu-me compor umas certas regras para uso dos que freqUentam bondes. O
desenvolvimento que tem tido entre nós esse meio de locomoção, essencialmente
democrático, exige que ele não seja deixado ao puro capricho dos passageiros.
Não posso dar aqui mais do que alguns extratos do meu trabalho; basta saber que
tem nada menos de setenta artigos. Vão apenas dez.


ART. I
Dos encatarroados
Os encatarroados podem entrar nos bondes com a condição de não tossirem mais
de três vezes dentro de uma hora, e no caso de pigarro, quatro.
Quando a tosse for tão teimosa, que não permita esta limitação, os encatarroados
têm dois alvitres: — ou irem a pé, que é bom exercício, ou meterem-se na cama.
Também podem ir tossir para o diabo que os carregue.
Os encatarroados que estiverem nas extremidades dos bancos, devem escarrar
para o lado da rua, em vez de o fazerem no próprio bonde, salvo caso de aposta,
preceito religioso ou maçônico, vocação, etc., etc.
ART. II
Da posição das pernas
As pernas devem trazer-se de modo que não constranjam os passageiros do
mesmo banco. Não se proíbem formalmente as pernas abertas, mas com a
condição de pagar os outros lugares, e fazê-los ocupar por meninas pobres ou
viúvas desvalidas, mediante uma pequena gratificação.
ART. III
Da leitura dos jornais
Cada vez que um passageiro abrir a folha que estiver lendo, terá o cuidado de não
roçar as ventas dos vizinhos, nem levar-lhes os chapéus. Também não é bonito
encostá-los no passageiro da frente.
ART. IV
Dos quebra-queixos
É permitido o uso dos quebra-queixos em duas circunstâncias: — a primeira
quando não for ninguém no bonde, e a segunda ao descer.
ART. V
Dos amoladores
Toda a pessoa que sentir necessidade de contar os seus negócios íntimos, sem
interesse para ninguém, deve primeiro indagar do passageiro escolhido para uma
tal confidência, se ele é assaz cristão e resignado. No caso afirmativo, perguntarlhe-á se prefere a narração ou uma descarga de pontapés. Sendo provável que ele
prefira os pontapés, a pessoa deve imediatamente pespegá-los. No caso, aliás
extraordinário e quase absurdo, de que o passageiro prefira a narração, o
proponente deve fazê-lo minuciosamente, carregando muito nas circunstâncias
mais triviais, repetindo os ditos, pisando e repisando as coisas, de modo que o
paciente jure aos seus deuses não cair em outra.

ART. VI
Dos perdigotos
Reserva-se o banco da frente para a emissão dos perdigotos, salvo nas ocasiões
em que a chuva obriga a mudar a posição do banco. Também podem emitir-se na
plataforma de trás, indo o passageiro ao pé do condutor, e a cara para a rua.
ART. VII
Das conversas
Quando duas pessoas, sentadas a distância, quiserem dizer alguma coisa em voz
alta, terão cuidado de não gastar mais de quinze ou vinte palavras, e, em todo
caso, sem alusões maliciosas, principalmente se houver senhoras.
ART. VIII
Das pessoas com morrinha
As pessoas que tiverem morrinha, podem participar dos bondes indiretamente:
ficando na calçada, e vendo-os passar de um lado para outro. Será melhor que
morem em rua por onde eles passem, porque então podem vê-los mesmo da
janela.
ART. IX
Da passagem às senhoras
Quando alguma senhora entrar, o passageiro da ponta deve levantar-se e dar
passagem, não só porque é incômodo para ele ficar sentado, apertando as pernas,
como porque é uma grande má-criação.
ART. X
Do pagamento
Quando o passageiro estiver ao pé de um conhecido, e, ao vir o condutor receber
as passagens, notar que o conhecido procura o dinheiro com certa vagareza ou
dificuldade, deve imediatamente pagar por ele: é evidente que, se ele quisesse
pagar, teria tirado o dinheiro mais depressa.

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