Museu é importante?

Você já se perguntou para que servem os museus? E , afinal, museu é lugar de estudante?

Em setembro de 2018, o Museu Nacional do Rio de Janeiro sofreu um incêndio que destruiu suas instalações e queimou grande parte de seu acervo. Localizado na Quinta da Boa Vista e mantido pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), naquele mesmo ano a instituição celebrava 200 anos de existência.

O Museu Nacional era um marco do Rio de Janeiro e muito representativo também para todos os brasileiros. Além de ser o primeiro museu do Brasil, reunia um acervo enorme em várias áreas do conhecimento: antropologia, arqueologia, ciências biológicas, artes, etnografia, geologia, história natural…Uma tragédia que não por acaso causou comoção em todo o país e fez muita gente refletir sobre a importância de termos e visitarmos museus.

Pode não parecer, mas museus dão muito o que falar. Há cerca de dez anos, instalou-se uma discussão mundial na qual muitos estudiosos acusavam os novos museus de estarem se transformando em verdadeiros parques de diversão. Isso porque, para atrair turistas algumas cidades, como a espanhola Bilbao, decidiram investir pesado em arquitetura moderna e chamativa e construíram museus que nada lembravam lugares associados às tristes múmias e aos esqueletos de dinossauros.

Se por um lado, os novos museus turbinados passaram a atrair um público que nunca antes tinha pisado em um museu, por outro perdiam um pouco de seu propósito, diziam os críticos. Será?

Os dois lados tinham certa razão. O fato é que muitos museus sérios começaram a investir em tornar suas exibições mais interativas, buscando formas criativas de ensinar os visitantes, crianças ou não, sobre a significância dos acervos e não simplesmente deixá-los expostos, com uma etiquetinha chata e difícil de ler.

MIS Experience São Paulo, Exposição Leonardo Da Vinci, 2019. Foto: Arquivo Pessoal

A onda tomou conta da Europa e dos Estados Unidos e, mesmo no Brasil, lugares como o Museu Catavento, que em pouco tempo tornou-se um dos mais visitados do estado de São Paulo e o Museu da Língua Portuguesa (que deve ser reaberto em junho deste ano, depois de um incêndio avassalador) passaram a conquistar o público estudantil.

Entre as boas discussões acerca dos museus, uma outra fez bastante barulho aqui na Europa: muitos dos tradicionais museus da Europa, – que latino-americanos e gente de toda parte sonham em visitar – , possuem objetos que não foram graciosamente cedidos por seus produtores ou verdadeiros donos. Sabe-se hoje que muitas das peças de povos originários chegaram aos refinados acervos pelas mão de exploradores nem tão finos, obtidos de formas no mínimo suspeitas.

Hoje os principais museus fazem um mea culpa e demonstram cuidado extremado na obtenção de cada peça, por menor que seja. É também muito comum nos dias atuais que as exibições tenham vídeos com as vozes e explicações de representantes reais dos povos que estão sendo apresentados, para evitar que se reforcem estereótipos e exotismos.

Um museu na escola

A plataforma de inovações em educação Porvir resolveu buscar inspiração em um manual britânico para dar boas dicas para que educadores possam instalar um museu dentro de suas próprias instiuições. Segundo eles, a ideia é uma “tentativa de construir experiências de aprendizagem mais significativas para dar vida aos conteúdos trabalhados em sala de aula.”

Vale a pena acompanhar e implementar o passo a passo que eles sugerem. Veja o link a seguir:

Como criar um museu escolar para engajar os estudantes

Mas isso não impede que você continue incluindo visitas a museus como parte do seu currículo. Aliás, o Jornal da USP trouxe uma lista de museus no estado de São Paulo que talvez você nem saiba que existam. A maioria, inclusive, gratuita. Há museus de arte, de anatomia, de zoologia, de história, entre outros. Confira se algum deles fica perto de você:

Museus da USP oferecem ciência e diversão para todos os públicos

Acervo MAM, Museu de Arte Moderna de São Paulo.

Aquecendo as baterias…

Lembre-se que antes de uma visita é importante ter um plano. Funciona um pouco como um planejamento de aula, ou seja, comece pensando nos objetivos de aprendizado e em que se ligam ao seu tópico ou disciplina.

Sem dúvida, a visita a um museu, ou parte dela, pode ser simplesmente um bônus. De qualquer forma é sempre melhor que você tenha bem claro o que deseja alcançar e prepare seus alunos para que saibam a melhor abordagem do espaço e dos acervos aos quais terão acesso.

A Nova Escola preparou um material bem útil, Visita a museus: 12 passos para organizar melhor a saída da escola, que você pode consultar aqui

Monumento aos trabalhadores mortos em luta por seus direitos. Museu Centro Europeu Solidariedade, construído nos estaleiros onde nasceu o movimento de trabalhadores Solidariedade, Gdansk, Polônia. Foto: Arquivo Pessoal

O Museu resiste

E já que começamos com o Museu Nacional do Rio de Janeiro, vamos terminar lembrando que um museu como aquele não morre assim. Apesar das chamas, do descaso estatal e da destruição de um material riquíssimo, a reconstrução caminha.

Sabia que há uma equipe de funcionários e colaboradores muito empenhados em resgatar tudo o que for possível para reabri-lo? Para saber mais do trabalho intenso e cuidadoso que está se realizando, vale a pena ver o documentário Resgates.

Para ficar por dentro de tudo o que anda acontecendo por lá e até para saber como pode ajudar, visite o site do museu.

Vida longa aos museus!

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