Sala de Aula: Professores e a consciência política dos alunos

Na seção Sala de Aula, abrimos espaço para professores, de qualquer disciplina e de várias partes do país, para contarem uma experiência bacana do seu dia com seus alunos. Leia sobre a experiência do professor Dr. Nilton Cepp, do Interior paulista.

Hoje Claraboia tem a honra de apresentar o professor de História, Geografia e Língua Espanhola, Nilton Cepp, doutor em História Contemporânea pela Universidade Rey Juan Carlos, de Madrid, que ensina turmas do Fundamental 2 ao Ensino Médio nas cidades de Dracena e Panorama, no Interior de São Paulo.

Fotógrafo e influenciador nas redes sociais, Nilton também é observador atento de como seus alunos interagem com os acontecimentos fora da sala de aula e acha importante que sejam feitas conexões entre os tópicos vistos em aula e a realidade além dos muros da escola.  “Sempre faço conexões. Hoje mesmo, durante aula sobre a formação dos primeiros sindicatos ingleses, os ‘trade unions’, fiz uma ligação com a necessidade da existência dos sindicatos como forma de representação legítima dos trabalhadores. Aproveitei e lembrei que a classe patronal também possui sindicatos.”

Em tempos de niilismo e, no Brasil, tempos em que existem até mesmo movimentos tentando impedir que as disciplinas abordem questões políticas em sala de aula, o professor entende que despertar a reflexão sobre tais temas é parte do trabalho.  “Se as novas gerações ainda não têm consciência política, é aí que entra o papel do professor de humanas”.

Acompanhe a seguir o episódio que ele tem a contar e compartilhe você também um momento sala de aula que possa nos inspirar a todos.

Cepp
Dr. Nilton Cepp (Arquivo Pessoal)

O direito divino da monarquia absolutista

e o estado laico no Brasil

Quinta-feira, aula de História para um 7º ano. Meninos e meninas de 12 anos. Sala com 15 alunos. O assunto era o “direito divino dos reis”, abordando o absolutismo. Uma questão pedia exemplos de países atuais cujas leis baseavam-se em fundamentos religiosos.

Não sabiam ainda o que isso significava e muito menos o que era o tal do Estado laico. Óbvio, são crianças de um sétimo ano e é normal que o professor e o material trabalhem esses conceitos nessa fase.

Quando fui checar se tinham dúvidas ou entendido o assunto, perguntaram se o Brasil era laico. Disse que a nossa Constituição, sim, nos garantia a laicidade. E aí vem o comentário de um garoto de 12 anos, cuja mãe, outro dia numa reunião, me disse que o filho era fã das aulas de História.
Professor, se o Estado é laico e os poderes também, então quando deputados ficam fazendo culto durante as sessões da Câmara (ele quis dizer as comissões), eles estão agindo fora da lei, não é?!  

Aproveitei e instiguei:
Então, o que vocês acham de haver crucifixos nas escolas públicas (as particulares fazem o que querem, sem problemas, são livres), imagens de santos nas entradas das cidades e outdoors com dizeres bíblicos patrocinados pelas prefeituras? – Ah, também tá errado, professor, se é lugar público, NÃO PODE!!

Me surpreendi muito com essa turma!
E ainda há os que não entendam porque as humanidades são tão execradas pela maldita direita reacionária!
Conhecimento é luz que guia e liberta!

Dr. Niton Cepp, docente de História, Geografia e Língua Espanhola.

Se você tem um episódio, uma atividade ou experência de sala de aula para contar, entre em contato com a Claraboia.

Imagem de abertura em destaque (Pexel/ CCO License ): Escultura de Prince Hal, famoso personagem Shakespeariano, em Stratford-upon-Avon, local de nascimento de William Shakespeare.

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