Multiletramento: o que é e por que é importante

Saiba mais sobre o conceito que não pode ser ignorado por nenhum educador do século XXI

Antes de entrarmos no tema do post, é fundamental começarmos com o termo letramento. Afinal, letramento é o mesmo que alfabetização?

Letramento vem da tradução do inglês, literacy. Por muito tempo, no entanto, nossa escolha era outra: traduzíamos literacy como alfabetização. E assim illiterate era uma pessoa analfabeta

Só que foi se percebendo que uma pessoa letrada era bem mais do que simplesmente alfabetizada. E que por outro lado alguém alfabetizado não é necessariamente letrado.

Mesmo em inglês, a percepção de letramento tornou-se algo mais amplo e complexo. Isso quer dizer que letramento hoje inclui alfabetização, mas abarca outros conhecimentos que vão além da decodificação das letras e fonemas do alfabeto.

Hoje sabemos que o ato de ler e escrever desempenha papel social e cultural. Felizmente, essa percepção não parou por aí e educadores de várias partes do mundo, inclusive do Brasil, concordam que letramento é um conceito em constante movimento.

O contato com as letras – e especialmente com todos os estímulos visuais que comunicam ideias – chega cada dia mais cedo na vida da criança. Pense, por exemplo, nos livros infantis ilustrados, nas canções, nos tablets, jogos e atividades repletos de símbolos que chegam às crianças bem antes do período escolar. O letramento entra na vida da criança antes mesmo da alfabetização.

E como se chegou ao conceito do multiletramento?

De novo, voltemos aos equivalentes em inglês. Multliteracy ou multiliteracies foi um conceito desenvolvido por um grupo de 10 pesquisadores e educadores ( o chamado New London Group), em 1994, na cidade de New London, no estado de New Hampshire, Estados Unidos.

Depois de analisar como as novas tecnologias estavam influenciando a sociedade, o grupo elaborou a abordagem dos multiletramentos como resposta a essas novas demandas e para dar conta dessas mudanças. Concentraram-se, em particular, em como a globalização e as mudanças tecnológicas afetam a educação.

Segundo eles, a pedagogia do multiletramento incorpora e encoraja uma ampla gama de percepções e ferramentas linguísticas, culturais, comunicativas e tecnológicas para ajudar os estudantes a se prepararem para um mundo globalizado em rápida e constante mutação.

Com o objetivo de auxiliar os estudantes a ter acesso ao maior número possível de oportunidades de viver bem suas vidas e de contribuirem com suas comunidades e com o futuro, as escolas deveriam se adaptar a esse novo paradigma.

Isso signifca preparar-se para o crescente leque de tecnologias de ensino e aprendizagem que gradualmente se tornavam disponíveis, fazendo bom uso desses novos canais de comunicação e do maior acesso à diversidade cultural e linguística.

Multimodal, por favor!

É aí que entra uma outra terminologia bastante comum entre educadores: a multimodalidade. O multiletramento está diretamente relacionado à multimodalidade porque incentiva o uso de múltiplos modos em diferentes formas de expressão.

Essa abordagem se opōe à pedagogia tradicional, que geralmente se utiliza de ferramentas monomodais em processos de ensino e aprendizagem e que com isso acaba limitando a diversidade de perspectivas de seus estudantes, necessárias para atuar integralmente em sociedade.

Em teoria, tudo isso parece claro o bastante. Se mudamos nossas formas primárias de comunicação, faz todo o sentido que a educação passe por transformação também, certo?

A leitura do mundo precede a leitura da palavra.

(A Importância do Ato de Ler, Paulo Freire, 1988)

Uma das questões, se não a principal delas, é saber se os professores estão prontos para preparar seus alunos diante dessas novas demandas. Para capacitar alguém temos de antes nos equiparmos para tal tarefa. E ir além, aprofundando o questionamento: afinal, será que todos os modos de se “multiletrar”são necessariamente ligados à tecnologia?

O grande debate a que se propõe a Claraboia é reforçar que o uso da tecnologia seja a ferramenta de acesso, em sua multiplicidade de opções, mas que nunca seja um fim em si mesmo.

Leia também A leitura do mundo: treinando o olhar fora da sala de aula

É perfeitamente compreensível que os jovens saiam da escola com conhecimento digital para atuarem num meio que exige esse conhecimento deles. No entanto, sem pensamento crítico, sem a prática do questionamento e da reflexão constantes, formaremos técnicos incapazes de protagonismo, de autonomia e de cidadania plena e consciente.

Letramento visual

Entre os tais modos pelos quais acessamos informação, o uso da imagem se faz mais e mais relevante. Além de fotografias e ilustrações, recursos como diferentes tipos de gráficos, vídeos, gifs, memes complementam e muitas vezes são a própria forma de comunicar.

Daí a urgência de preparar “leitores” capazes de compreender e interpretar tais mensagens sob diferentes pontos de vista. Tudo isso requer habilidades que despertem o olhar crítico, analisando como as imagens são produzidas, como podem ser manipuladas, de que forma desempenham papeis distintos e até mesmo antagônicos dependendo do contexto em que se inserem.

Como Paulo Freire brilhantemente antecipou, em uma de suas famosas palestras: “A leitura do mundo precede a leitura da palavra“.

Se você professora, professor, facilitador ou líder comunitário gostaria de saber mais sobre esses processos e se preparar para ensinar seus alunos a navegar nesse mundo povoado de estímulos visuais, não deixe de conhecer o novo curso da Claraboia, a Leitura das Imagens (em cinco atividades práticas). E use o código IMAGEM50 até o dia 21 de outubro para obter 50% de desconto!

Além de muitas ideias para desenvolver dinâmicas sob a abordagem do aprendizado ativo, o curso convida a refletir sobre uma série de questões que podem tornar sua experiência docente mais profunda e, por que não, mais divertida também.

Aventure-se!

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Fotos: Pixabay/CC0 License

2 comentários em “Multiletramento: o que é e por que é importante

  1. Excelente tema abordado. Refletir sobre a prática pedagógica e sobre as inúmeras mudanças que estão ocorrendo é fundamental para a melhoria da nossa prática.

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    1. Obrigada pelo retorno tão positivo, Mônica! Volte sempre!

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