O papel de quem ensina, em tempos de Google

De um lado o mito do professor sabe-tudo, do outro a falsa premissa de que podemos aprender sobre todos os temas, em minutos, bastando para isso ter um smartphone

Quando eu estava na primeira série, andando de mãos dadas com minha mãe numa rua perto de casa, fui tomada por uma surpresa enorme quando vimos minha professora, dona Elizabeth. Na minha cabeça era impossível imaginar a figura da minha mestra fora dos muros da escola.

Muitos anos depois, desta vez levando pela mão meu filho, que devia ser um pouco mais novo do que eu era naquela cena da minha infância, demos de cara com Mrs. Mosher, a diretora da escola dele. Estávamos num supermercado e ele fazia uma birra qualquer, a qual foi imediatamente interrompida com um silêncio colossal pela simples visão da diretora.

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Não sei se as crianças ainda veem seus professores como personagens que vivem misteriosamente dentro do espaço da escola, mas sei que em todas as culturas (em algumas mais do que outras) esperamos que nossos professores sejam sempre conhecedores absolutos dos temas que ensinam, e mais: que façam isso com dedicação suprema.

A ideia é reforçada pela mídia e por interesses bem pouco nobres. Quantos políticos e administradores ainda hoje sugerem que os professores devam trabalhar por amor e não por um salário justo? Sem contar que por muitos anos, no Brasil especialmente, mas não só, o magistério era associado a mulheres, de preferência casadas, para que seus parcos salários servissem como mero acessório no orçamento familiar.

Os tempos mudaram. E de repente a tecnologia, a disponibilidade insana de informação, factual ou inventada, educativa ou simplesmente comercial, invade nossa vida com ou sem a nossa permissão.

Mesmo nas universidades, a figura do mestre, antes visto como detentor do saber, é agora questionada, muitas vezes, infelizmente, não por pupilos interessados e sedentos de novas ideias, mas repetidores de frases retiradas , em geral fora de contexto, das rápidas pesquisas no Google.

A culpa não é do Google, claro. Quem pode imaginar a vida sem esse guru eletrônico nos dias que se vão? Mas a situação nos faz refletir sobre conhecimento e sobre como interagir com nossos alunos, de forma produtiva e engajada, dentro desse novo modelo.

É possível equilibrar nossa própria insegurança diante das mais variadas fontes de “saber”? E como evitar a arrogância dos que se fecham em suas redomas como únicos detentores do conteúdo a ser ensinado?

É sobre isso que vamos conversar nos próximos posts, buscando inclusive o que já foi publicado sobre o tema. Não deixe de acompanhar a conversa e participe falando de suas próprias reflexões sobre o tema.

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Até a próxima…

 

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